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Segundo dia da Semana Nacional de Conciliação na Justiça Federal da 4ª Região é marcado audiências em busca de acordos para viabilizar obras de grande porte na Região Sul

Duas obras importantes para o Rio Grande do Sul e para Santa Catarina tiveram seu andamento garantido hoje (6/11), por meio das audiências de conciliação realizadas pela Justiça Federal da 4ª Região na XIII Semana Nacional da Conciliação: a construção da nova ponte do Rio Guaíba, em Porto Alegre, e o anel viário da BR 101, na Grande Florianópolis. As conciliações buscam acordos para desapropriar residências e terrenos atingidos pelas obras. Nesta terça-feira, na sede da Justiça Federal de Santa Catarina, aconteceram quatro audiências sobre as desapropriações para a realização da obra do contorno viário da Grande Florianópolis, na BR 101. Até o final da Semana da Conciliação, 26 audiências sobre a matéria devem ser realizadas,  envolvendo os proprietários de áreas e residências ao longo da rodovia, com a concessionária Autopista Litoral Sul S.A e a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrrestres). Desde 2015, o Cejuscon (Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania) de Florianópolis já realizou quase 700 audiências, com índice de 90% de acordos e 95% da área já liberada para a construção do caminho alternativo de 50 Km de extensão, que começa em Palhoça e vai até Bigaçu (SC), e promete desafogar o trânsito da região metropolitana.  Cerca de 40 mil pessoas são atingidas por essas ações judiciais que tramitam na Justiça Federal catarinense. As rodadas de conciliação para desapropriações na região têm agilizado as obras, mas esta não é a única vantagem. De acordo com a juíza federal Micheli Polipo, coordenadora do Cejuscon de Santa Catarina, os proprietários que negociam com a concessionária Autopista também são beneficiados. “Além de resolver mais de rapidamente o processo de desapropriação, a conciliação permite a emissão na posse em prazo acertado com as partes, o que não seria possível na tramitação normal. Se o processo fosse sentenciado fora de uma conciliação ficaria restrito somente ao pagamento da indenização. Já na mesa de acordo, os proprietários conseguem negociar com a empresa responsável questões como construções de acesso às áreas, pisão dos valores entre todos os herdeiros e o depósito nas respectivas contas correntes sem necessidade de expedição de alvará, fornecimento de água e até mesmo prazo para colheita das plantações já existentes e desocupação do imóvel”, explica Micheli. Já no Rio Grande do Sul, hoje foi o segundo dia de mutirão conciliação envolvendo as ações de desapropriação de imóveis na Ilha Grande dos Marinheiros para a construção da nova ponte do Rio Guaíba. Pela manhã, foram realizados 23 acordos em 26 processos pautados, outros três foram redesignados para uma nova data. As tratativas também foram realizadas no período da tarde, no auditório do prédio-sede da instituição em Porto Alegre. O evento foi aberto pelo juiz federal Hermes Siedler da Conceição Júnior, da 26ª Vara Federal da capital, que conversou com os moradores a respeito das opções oferecidas pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) para fechar o acordo. Dentre elas, o magistrado destacou a compra assistida, na qual o núcleo familiar de até cinco membros tem a oportunidade de indicar para a aquisição um imóvel de até R$ 152 mil. Caso a família seja maior, o valor limite passa para R$ 178 mil. Moradora da ilha desde que nasceu, a recicladora Mara Silva da Cruz, de 45 anos, veio para a audiência acompanhada das filhas Graziela e Gabriela, que também moram na comunidade. Apesar de considerar atraente a proposta de compra assistida oferecida pelo Dnit, a moradora não escondeu o medo de ficar sem serviço no novo endereço. “Com o valor de R$ 152 mil dá pra comprar um imóvel muito bom. Mas se eu pudesse escolher, eu ficaria na ilha. Eu ainda não sei como vou fazer para conseguir trabalho depois que eu sair de onde moro”, pontuou. Assim como as filhas, ela já escolheu o imóvel no município vizinho de Eldorado do Sul para o qual pretende se mudar. Quem também trouxe o filho e a nora para participar da audiência foi o tropeiro aposentado Pedro Nunes, de 96 anos. Já sem muitas preocupações no que diz respeito a futuros empregos, o idoso relatou que pretende se mudar para o município de Guaíba, lugar do qual guarda as melhores lembranças da época em que trabalhava tocando o gado. “Eu me criei em Guaíba. Aquele monte de rios da região eu atravessa com mais de cem cabeças de gado, quando não tinha nem ponte. Essa casa nova eu quero que seja boa para o meu filho, que mora comigo. O dia que eu não estiver mais aqui, vai ficar pra ele. Mas enquanto Deus quiser, eu vou aguentar firme e forte”, concluiu. Na manhã de quarta-feira (7/11), outras 25 ações entrarão nas rodadas de negociações. As audiências são mediadas pelos juízes Hermes Siedler da Conceição Júnior e Ana Inès Algorta Latorre e contam com a participação de representantes do Dnit, da Defensoria Pública da União e do Ministério Público Federal. Ontem (5/11) R$1.283.640,30 foram homologados em 103 acordos fechados na Justiça Federal do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina e do Paraná, em 306 audiências de conciliação realizadas.
06/11/2018 (00:00)
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