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Maria na escola conversa com alunos de Gravataí

Maria na escola conversa com alunos de Gravataí"Todos os seres humanos nasceram livres e iguais em dignidade e direitos. Consta na Constituição e Declaração Universal dos Direitos Humanos. Mas, na prática, isso é possível?" Com esse questionamento, a titular do 1º Juizado da Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher da Capital , Juíza Madgéli Frantz Machado, deu início a um bate-papo com alunos do Ensino Médio do Colégio Fundação Bradesco, em Gravataí. O convite para levar o projeto Maria na escola à escola da Região Metropolitana partiu do Professor Erlon Schuler, um dos atletas que integram a campanha Tod@s por elas, e docente de Geografia na instituição."Somos importantes no processo de transformar e fazer a diferença. A maioria das mulheres é morta na presença dos seus filhos, vítimas indiretas da violência. O que eles irão reproduzir na vida?¿, questionou. Para a magistrada, a violência contra a mulher tem um componente muito marcante, que é o patriarcalismo. "O casamento era ligado à reprodução. A inteligência da mulher estava no útero. Isso falando da mulher branca. A negra, sofria violência e abusos na senzala. São vários fatores sociais que vão se agregando à violência, que acontece em todas as classes sociais", afirmou.Juíza Madgéli participou de bate-papo com alunosdo Ensino Médio do Colégio Fundação Bradesco, em GravataíDurante o encontro, ela contou a história da farmacêutica Maria da Penha e falou sobre a lei que leva o nome dela. "Mais de 90% da Lei Maria da Penha tem caráter preventivo. A vítima é mulher. A violência é praticada por companheiro ou companheira. Acontece no âmbito doméstico , da família ou numa relação íntima", explicou a palestrante.A Psicóloga do 1º JVDFCM, Ivete Machado Vargas, também conversou com os jovens, falando sobre conceitos e diferenças a respeito de identidade de gênero , orientação sexual e sexo biológico . "A LMP protege a mulher, independentemente da orientação sexual. E também a que se identifica como mulher . Não é preciso cirurgia, mudar sexo ou nome", ressaltou a Juíza Madgéli.Convite para levar o projeto Maria na escolapartiu do Professor Erlon Schuler, docente de Geografia na instituiçãoe um dos atletas que integram a campanha Tod@s por elasIvete também explicou sobre o ciclo da violência. "Começa com brigas e discussões, passa para a fase de tensão e depois a lua de mel . As agressões ficam cada mais graves e menos esporádicas. A mulher tem medo de se separar e que, na visita, o seu agressor se vingue no filho."Estereótipos e preconceito Quando o assunto é violência doméstica e familiar, muitos são os mitos que envolvem a temática. Um deles é o que questiona por que as vítimas não se separam. "Por quê?", questionou a magistrada à plateia. "É uma estratégia de manipulação do agressor", disse a estudante Nicole. "A mulher ganha menos e tem menos oportunidades de emprego. Às vezes, tem filho e acaba ficando", completou Bruno. "A mulher denuncia, mas vai ter que voltar pra casa. Também tem a questão da criação: se entende que a agressão é uma demonstração de amor", afirmou Mariana. Psicóloga do 1º JVDFCM, Ivete Machado Vargas, abordouidentidade de gênero, orientação sexual e sexo biológico A magistrada concordou com todos os argumentos, e enfatizou a necessidade de os casos serem denunciados. Segundo ela, no ano passado, houve 87 feminicídios no RS. Mais de 70% dessas vítimas sequer tinham registrado denúncia na Delegacia de Polícia. "No Judiciário, nós concedemos 105 mil Medidas Protetivas de Urgência em 2018. Precisamos encorajar as mulheres a fazer as denúncias. As MPU salvam vidas." A formação de uma rede protetiva é o caminho, defendeu a magistrada. "Delegacia especializada, servidores treinados, políticas públicas." A Juíza destacou o papel da escola e dos educadores nesse contexto: "É o lugar mais seguro que vocês têm para ajudar a resolver esta situação. Enquanto a situação estiver com vocês, não vão conseguir encontrar luz." EXPEDIENTETexto: Janine SouzaAssessora-Coordenadora de Imprensa: Adriana Arendimprensa@tjrs.jus.br Publicação em Tue Dec 03 17:09:00 BRT 2019 Esta notícia foi acessada: 19 vezes.
03/12/2019 (00:00)
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